Logo
"mentiroso" e "covarde"

Lobista diz que fará delação e chama Lula de 'mentiroso' à CNN

Roberta Luchsinger, alvo da Operação Sem Desconto, negou crimes e afirmou ser amiga de Lulinha; Presidência nega contato e vê estranheza em momento eleitoral.

publicado em 17/10/2026 às 22:56
atualizado há 1 dia

Lobista diz que fará delação e chama Lula de 'mentiroso' à CNN
Crédito: Roberta Luchsinger disse que 'não poupará ninguém' Reprodução/YouTube CNN Brasil

A lobista Roberta Luchsinger declarou neste sábado (17), em entrevista à CNN Brasil, que tem desejo de firmar um acordo de delação premiada e fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem chamou de "mentiroso" e "covarde". As declarações ocorrem em um momento em que ela é alvo da Operação Sem Desconto e às vésperas do segundo turno da eleição presidencial.

Luchsinger afirmou que, em sua delação, não poupará detalhes ou pessoas.

"Eu não vou poupar nenhum detalhe, eu não vou poupar ninguém. Pode ser presidente da República, que, a meu ver, é um grande mal-caráter, é um grande mentiroso. E, eu repito: um grande covarde. Não vou poupar filho de presidente", afirmou a lobista à emissora.

A lobista ainda classificou o presidente Lula de "mentiroso" por ele ter negado conhecê-la. Segundo Luchsinger, ela seria a melhor amiga de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do petista e empresário.

Questionada sobre as acusações, Luchsinger negou ter cometido qualquer crime. Sobre sua relação com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", ela disse que era profissional e que rompeu o contrato assim que o esquema de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social se tornou público. Ela confirmou que apresentou "Careca do INSS" a Lulinha, mas alegou desconhecer a profundidade da relação entre eles antes das divulgações pela imprensa.

Atualmente, Luchsinger e Lulinha são alvos de três inquéritos que investigam suposto tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As apurações indicam que eles teriam atuado em benefício privado junto ao governo Lula.

A lobista declarou ter tido contato com ministros da atual gestão do petista, mas argumentou que as conversas eram para tratar de políticas públicas ou para promover o acesso ao chefe do Executivo. Ela citou que dialogou com chefes das pastas da Educação e da Comunicação. Luchsinger também disse que Lulinha mantinha relações com ministros do governo.

Em resposta às declarações, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) enviou uma nota à CNN Brasil, afirmando que o presidente Lula "desconhece inteiramente os fatos relatados" por Luchsinger. A Secom reiterou que o chefe do Executivo "jamais manteve qualquer interlocução com ela" e que "não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta".

A Secom também manifestou "estranheza" com o momento das declarações, que ocorrem "justamente às vésperas do segundo turno da eleição", marcado para 25 de outubro. Na nota, a secretaria sugere que "o Brasil já assistiu, em outros processos eleitorais, à divulgação de denúncias sem comprovação, usadas como instrumento de manipulação da opinião pública", e que a repetição desse expediente "representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores". Lula disputa a Presidência contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Paralelamente, o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério das Comunicações (MCom) também emitiram notas à Jovem Pan, negando qualquer envolvimento. O MEC afirmou que "nunca houve qualquer discussão ou tratativa envolvendo o Ministério da Educação (MEC) com Roberta Luchsinger ou Fábio Luís Lula da Silva". O MCom declarou que "nunca houve nenhuma tratativa com Roberta ou Fábio para acesso à agenda da Presidência da República" e que "eles nunca estiveram no Ministério das Comunicações".

comentários (0)

você precisa estar logado para comentar.

entrar / cadastrar

Leia Também

Opinião

A cortina de fumaça e o silêncio que ecoa nas urnas

No palco do debate, a tática de esquiva presidencial traduz a distância entre o que se promete e o que se entrega, frustrando a busca por soluções concretas.

A cortina de fumaça e o silêncio que ecoa nas urnas
—Em Brasil
"um grande mentiroso"

Lulinha se reunia com ministros para debater políticas, diz lobista à CNN

Empresária <strong>Roberta Luchsinger</strong>, alvo de inquérito da <strong>PF</strong> com o filho do presidente, afirma que encontros eram frequentes e critica declarações de <strong>Lula</strong>.

Lulinha se reunia com ministros para debater políticas, diz lobista à CNN
—Em Brasil
brasil

Erika Hilton acusa 'interferência estrangeira' em eleições e protocola CPI das big techs

Parlamentar do PSOL busca 171 assinaturas na Câmara para investigar atuação de plataformas; Meta admitiu 'falhas técnicas' em campanha de Lula.

Erika Hilton acusa 'interferência estrangeira' em eleições e protocola CPI das big techs
—Em Brasil