Lula não apresenta documentos de sigilo bancário e fiscal prometidos ao TSE, diz ex-procurador
Deltan Dallagnol afirma que equipe do presidente entregou nova manifestação no lugar da documentação; petistas teriam tentado impedir gravação de vídeo nesta quinta-feira (22).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não cumpriu o compromisso de apresentar documentos relativos à abertura de seus sigilos bancários e fiscais ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22). A denúncia foi feita pelo ex-procurador da República Deltan Dallagnol, que divulgou um vídeo nas redes sociais onde critica a atuação de representantes petistas, alegando que houve tentativas de impedir a conclusão de sua gravação no local.
Segundo o relato de Dallagnol, a documentação aguardada não foi efetivamente entregue. Em seu lugar, os representantes do presidente teriam protocolado uma nova manifestação formal junto ao TSE, na qual reiteram o compromisso de disponibilizar as informações solicitadas, mas sem a apresentação imediata dos dados prometidos.
O ambiente durante a gravação do vídeo foi marcado por um momento de tensão, conforme descrito pelo ex-procurador. Dallagnol afirmou que pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores que estavam presentes tentaram interromper sua fala, em meio à cobrança pública pelo cumprimento da promessa de abertura de sigilos atribuída ao presidente.
Este episódio se desenrola após o debate presidencial ocorrido no último domingo (18), quando Lula propôs que todos os candidatos autorizassem a abertura de seus sigilos. A iniciativa, que visava trazer maior transparência à reta final da campanha, rapidamente se tornou um ponto de pressão, especialmente por parte da equipe do senador Flávio Bolsonaro (PL).
A campanha de Flávio Bolsonaro acionou Dallagnol para acompanhar e validar a análise da documentação, caso fosse apresentada. Desde então, o ex-procurador tem utilizado suas plataformas para questionar publicamente a efetividade do compromisso e a ausência dos documentos na data prometida.
Em termos práticos, a controvérsia reside na interpretação e no escopo do compromisso. Enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro defende que a abertura dos dados deve ser materializada pela apresentação dos documentos físicos para verificação, o grupo de Lula argumenta que a exigência de transparência deve ser aplicada de forma recíproca, também cobrando a abertura dos sigilos do adversário político.



