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Mato Grosso

Líder de facção foragida é transferida para presídio em Cuiabá após captura na Bolívia

Angélica Saraiva de Sá, conhecida como 'Angeliquinha', estava em MS e passará a cumprir Regime Disciplinar Diferenciado em MT, somando condenações de mais de 260 anos.

publicado em 21/10/2026 às 09:38

Líder de facção foragida é transferida para presídio em Cuiabá após captura na Bolívia
Crédito: Reprodução / Polícia Civil

Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, apontada pela Polícia Civil como uma das principais lideranças de uma facção criminosa no norte de Mato Grosso, foi transferida nesta terça-feira (20) de uma unidade prisional de Mato Grosso do Sul para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. A medida é um desdobramento de sua captura na Bolívia em setembro e visa o cumprimento do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

A criminosa estava custodiada no Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano, em Corumbá (MS), desde sua entrega à Polícia Federal brasileira, dois dias após ser localizada e capturada em 22 de setembro, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Angeliquinha estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando escapou da penitenciária feminina da capital mato-grossense. Segundo a Polícia Civil, suas condenações somam mais de 260 anos de prisão, com diversos mandados de prisão em aberto.

Contexto da Fuga e Captura

Durante o período em que permaneceu foragida na Bolívia, por mais de um ano, Angeliquinha teria se submetido a uma série de cirurgias plásticas e procedimentos estéticos, incluindo implante de silicone, drenagem, preenchimento labial e alongamento do queixo. A Polícia Civil suspeita que essas alterações na aparência, realizadas em um polo de cirurgias plásticas de baixo custo em Santa Cruz de la Sierra, tinham como objetivo dificultar sua identificação e despistar as autoridades. Ela foi presa com ataduras no rosto, revelando a recente intervenção.

A localização e captura de Angeliquinha foram resultado de uma ação conjunta das polícias Civil de Mato Grosso e Boliviana. Ela era considerada uma das pessoas mais procuradas do país pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, sendo classificada como de alta periculosidade.

Regime Disciplinar Diferenciado e Histórico Criminal

A 5ª Vara Criminal de Sinop determinou a inclusão de Angeliquinha no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) por um prazo inicial de 180 dias, passível de prorrogação. Essa decisão foi fundamentada em uma representação da Polícia Civil, no âmbito das investigações da Operação Showdown, que indicavam que ela continuou a exercer funções de liderança na organização criminosa mesmo enquanto estava foragida no exterior. O RDD impõe condições especiais de custódia e restrições previstas na legislação.

A liderança da facção criminosa, atribuída a Angeliquinha, se estende por municípios como Alta Floresta e Nova Bandeirantes, no extremo norte de Mato Grosso. As investigações apontam seu envolvimento em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsões e coordenação de ações criminosas, incluindo exploração de garimpos irregulares na região. Entre as condenações que acumula, destaca-se a de março de 2025, de 99 anos e 11 meses de prisão, pelo assassinato de quatro trabalhadores em Nova Monte Verde, ocorrido em 2022.

Operação Showdown e Lavagem de Dinheiro

Em março de 2026, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown para investigar o suporte logístico e financeiro que familiares de Angeliquinha teriam prestado às suas atividades criminosas. Foram cumpridas 31 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão e de busca e apreensão, sequestro de veículos e imóveis, bloqueio de contas bancárias e suspensão de pessoas jurídicas.

A investigação identificou movimentações financeiras superiores a R$ 20 milhões em cerca de um ano e sete meses, valores considerados incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos. Para os investigadores, empresas e outros negócios teriam sido utilizados para dar uma aparência lícita aos recursos de origem criminosa, envolvendo diretamente pai, filha e genro da líder da facção na estrutura de apoio e movimentação de dinheiro ilícito.

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