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Onda de desinformação

PT intensifica onda de fake news e mira no medo de eleitores para virar contra Flávio Bolsonaro

Campanha de Lula espalha mensagens falsas sobre privatização do SUS, fim do Bolsa Família e cortes em direitos trabalhistas atribuídas ao adversário.

publicado em 11/10/2026 às 02:53

PT intensifica onda de fake news e mira no medo de eleitores para virar contra Flávio Bolsonaro
Crédito: Reprodução / Internet

A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou uma ofensiva digital focada em explorar o receio de cortes em benefícios sociais para reverter o cenário do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). Uma força-tarefa petista deflagrou, no início desta semana, uma avalanche de informações falsas nas redes sobre as propostas do candidato do PL.

A estratégia ganhou força após o resultado do primeiro turno, quando o petista ficou atrás de seu rival. O movimento online teve início intenso na última quarta-feira (8) e conta com o apoio de influenciadores como o deputado federal André Janones (Rede-MG), além de deputados eleitos como Pedro Rousseff (PT-MG) e Ana Elisa (PT-MG). O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), inclusive, classificou a ação como "terrorismo eleitoral".

O próprio presidente Lula orientou seus aliados a alertarem beneficiários de programas sociais e aposentados sobre possíveis reduções nos benefícios em uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro.

A equipe de campanha de Flávio Bolsonaro identificou uma "onda descomunal de desinformação". Relatórios apontam a disseminação massiva de mensagens em plataformas como WhatsApp e Telegram, que atribuem ao candidato do PL planos de privatizar o Sistema Único de Saúde (SUS), extinguir o Bolsa Família e eliminar direitos trabalhistas.

As fake news, muitas já desmentidas por órgãos independentes de checagem, incluem postagens que anunciam o fim do 13º salário e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de um suposto aumento da idade mínima para aposentadoria. Algumas publicações chegaram a veicular mentiras sobre o fim de universidades públicas e até mesmo do voto feminino.

Uma das publicações virais apresentava a proposta de aposentadoria aos 75 anos para homens e 72 para mulheres, além de uma jornada de trabalho diária de 12 horas. O conteúdo mescla a defesa de novas reformas com medidas que o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de campanha de Flávio, nunca anunciou. Outras ações utilizaram falas adulteradas em vídeos para espalhar as inverdades.

A campanha de Flávio Bolsonaro nega veementemente todas as medidas associadas a ele. Checagens da imprensa confirmaram que o programa do candidato do PL prevê a preservação de programas sociais, o combate a fraudes previdenciárias e a redução de custos trabalhistas sem, contudo, suprimir direitos.

Entre as montagens que circularam, uma delas distorce o programa de contratação de atendimento privado complementar, apresentando-o como uma intenção de privatizar o SUS. Da mesma forma, a proposta de ampliar negociações trabalhistas foi deturpada como uma tentativa de eliminar direitos, visando o fim da CLT, do 13º salário e das férias.

Antes mesmo do segundo turno, a reta final da campanha do primeiro turno foi marcada pela disseminação do boato de que Flávio Bolsonaro retiraria o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. O episódio, classificado como "guerra santa" e que buscou opor católicos e evangélicos, foi negado pelo candidato e explorado por aliados de Lula, como a primeira-dama Rosângela "Janja" Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), embora não tenha produzido o resultado esperado nas urnas.

O cenário atual de desinformação remete ao pleito de 2014, quando a campanha de Dilma Rousseff (PT) atacou a então rival Marina Silva (PSB) por sua defesa da autonomia do Banco Central. Naquela ocasião, a propaganda televisiva mostrava banqueiros sorrindo enquanto a comida desaparecia dos pratos de uma família.

Diante da ofensiva petista, a campanha de Flávio Bolsonaro tem respondido com postagens de desmentidos nas redes sociais e estuda novas estratégias, incluindo ações judiciais para identificar e responsabilizar os autores das fake news. O objetivo é evitar que eleitores desavisados sejam convencidos pelas falsidades.

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