Afastamento de conselheiros do TCE-MT gera polêmica sobre gestão pública
Operação da PF levanta questões sobre a transparência na administração de contratos estaduais.

A Polícia Federal (PF) deflagrou na última quinta-feira (29) a Operação Tomada de Contas, que resultou no afastamento dos conselheiros Guilherme Maluf e Alisson Alencar, além do conselheiro aposentado Valter Albano, do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). As medidas judiciais visam investigar possíveis irregularidades na gestão de contratos administrativos e pagamentos realizados pela instituição.
Durante a operação, o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, foi preso, junto com outros envolvidos, incluindo o procurador do tribunal, Grhegory Paiva Pires. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, mobilizando mais de 180 policiais federais.
As investigações, autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), buscam apurar indícios de que a suspensão de contratos administrativos poderia ter sido utilizada como forma de pressão sobre fornecedores. Além disso, a PF investiga possíveis favorecimentos na liberação de recursos públicos e divergências nos pagamentos realizados a empresas.
Outro aspecto relevante da apuração envolve movimentações financeiras atípicas, incluindo saques recorrentes em dinheiro. A PF investiga a origem desses valores e busca estabelecer conexões entre as operações financeiras e os contratos em investigação. Imagens de câmeras de segurança da agência do Sicoob, localizada dentro do TCE-MT, mostram a movimentação de malas e malotes com dinheiro, totalizando cerca de R$ 15,6 milhões em saques.
A operação também resultou na apreensão de bens de alto valor, incluindo maços de dinheiro em espécie, cédulas de dólares e euros, além de coleções de relógios de luxo e veículos de alto padrão. O valor total dos bens apreendidos ainda não foi divulgado.
Os fatos apurados podem, em tese, configurar crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A PF ainda não detalhou a origem do dinheiro apreendido nem a relação dos bens com as suspeitas investigadas, mas a investigação seguirá para esclarecer a procedência dos recursos e a responsabilidade dos envolvidos.
A continuidade das investigações da Polícia Federal será crucial para entender a extensão das irregularidades e garantir a responsabilização adequada dos envolvidos, destacando a importância de mecanismos de controle e supervisão em instituições públicas.
Linha do tempo: Operação Tomada de Contas
Antes da operação
PF identifica indícios de irregularidades no TCE-MT As investigações da Polícia Federal apontaram suspeitas relacionadas à gestão de contratos administrativos, à liberação de recursos públicos e a pagamentos realizados pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). A apuração também passou a analisar movimentações financeiras consideradas atípicas, incluindo saques frequentes em dinheiro.
Autorização judicial
STJ autoriza medidas cautelares Com base nos elementos reunidos pelos investigadores, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou uma série de medidas judiciais para aprofundar as investigações e preservar provas.
Quinta-feira (29)
PF deflagra a Operação Tomada de Contas Mais de 180 policiais federais participaram da operação, que cumpriu:
6 mandados de prisão preventiva;
26 mandados de busca e apreensão;
diligências em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Afastamento de conselheiros
Três membros do TCE-MT são afastados Por determinação judicial, foram afastados das funções:
Guilherme Maluf;
Alisson Alencar;
Valter Albano, conselheiro aposentado.
A medida tem como objetivo evitar interferências nas investigações em andamento.
Prisões
Presidente do TCE-MT e procurador são presos Durante a operação, a Polícia Federal prendeu o presidente do tribunal, Sérgio Ricardo de Almeida, além do procurador do TCE-MT, Grhegory Paiva Pires. Outras pessoas também foram alvo de mandados de prisão preventiva.
Avanço das apurações
PF investiga suposta pressão sobre fornecedores Segundo a investigação, a suspensão de contratos administrativos pode ter sido utilizada como mecanismo de pressão contra empresas fornecedoras. Os investigadores também apuram possíveis favorecimentos na liberação de pagamentos e recursos públicos.
Movimentações financeiras sob suspeita
Saques de R$ 15,6 milhões entram no radar Imagens de câmeras de segurança da agência do Sicoob instalada dentro do TCE-MT registraram a circulação de malas e malotes com dinheiro. A PF aponta que os saques realizados somam cerca de R$ 15,6 milhões e busca identificar a origem dos recursos e sua eventual ligação com os contratos investigados.
Apreensão de bens
Dinheiro, moedas estrangeiras e itens de luxo são recolhidos Nas buscas, os agentes apreenderam:
maços de dinheiro em espécie;
dólares e euros;
relógios de luxo;
veículos de alto padrão.
O valor total dos bens recolhidos ainda não foi divulgado pelas autoridades.
Próximos passos
Investigação segue para esclarecer origem dos recursos A Polícia Federal continua analisando documentos, movimentações financeiras e materiais apreendidos. Os fatos investigados poderão, em tese, configurar crimes como:
corrupção e crimes contra a administração pública;
lavagem de dinheiro;
organização criminosa.
As apurações devem prosseguir para definir a participação e a responsabilidade de cada investigado.

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