Prefeito de Cuiabá alerta para venda de Mounjaro falsificado na capital
Medicamentos irregulares, muitos vindos do Paraguai, podem conter anfetaminas e causar efeitos colaterais graves. Anvisa já determinou apreensão de lotes e proibiu a comercialização de substâncias sem registro.

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), emitiu um alerta sobre a circulação de medicamentos falsificados, vendidos como Mounjaro, na Capital. A advertência foi feita em um vídeo publicado recentemente em suas redes sociais, onde o gestor municipal, acompanhado de um médico, destacou os perigos de produtos adquiridos no Paraguai ou comercializados de forma irregular nas ruas, sem procedência comprovada.
Segundo Abilio Brunini, há fortes suspeitas de falsificação de medicamentos utilizados para emagrecimento. Ele mencionou especificamente produtos anunciados como retatrutida, uma substância que ainda não possui lançamento comercial oficial e, portanto, não deveria estar disponível para venda.
“Com essa questão de muita gente trazer Mounjaro do Paraguai, muita gente está confiando onde compra, às vezes na rua. E eu quero dizer uma coisa para você: em Cuiabá tem gente falsificando o produto, inclusive aquele produto chamado retatrutida, que ainda não saiu e não teve um lançamento oficial”, declarou o prefeito em seu vídeo.
O alerta também abordou a preocupação de que alguns desses produtos vendidos irregularmente possam conter substâncias perigosas, como anfetaminas. Pessoas que acreditavam estar utilizando tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, teriam relatado sintomas como aceleração dos batimentos cardíacos, sudorese intensa e palpitações. No entanto, o prefeito não apresentou exames laboratoriais que comprovassem a composição exata dos medicamentos mencionados.
Fiscalização e apreensões
A denúncia do prefeito ocorre em um cenário de intensificação das operações policiais e medidas de fiscalização contra a comercialização ilegal de medicamentos emagrecedores. Em maio deste ano, uma ação conjunta da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal resultou na apreensão de 488 frascos de tirzepatida em Várzea Grande. Os produtos, avaliados em aproximadamente R$ 300 mil, estavam escondidos no estepe de um veículo e, segundo os suspeitos, seriam comercializados em Cuiabá.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também tem atuado ativamente. Ao longo deste ano, o órgão determinou a apreensão de diversos lotes falsificados de Mounjaro. A fabricante original identificou produtos com números de série, dispositivos de segurança e embalagens incompatíveis com os padrões autênticos, confirmando a fraude.
A substância retatrutida, mencionada pelo prefeito, é outro ponto de grande preocupação para as autoridades sanitárias. Ela ainda está em fase de desenvolvimento e não possui registro sanitário em nenhum país. Em outubro, a Anvisa proibiu a fabricação, importação, comercialização, propaganda e uso de diferentes produtos que estavam sendo irregularmente vendidos como retatrutida e tirzepatida.
Recomendação às pessoas
Ao reforçar o alerta, Abilio Brunini fez um apelo para que a população não utilize medicamentos sem procedência garantida e sem o devido acompanhamento profissional.
“Tome cuidado com aquilo que você injeta no seu corpo, porque pode dar o maior problema se você fizer do jeito errado. E se você não fizer com acompanhamento médico, está correndo o risco das consequências ou dos efeitos colaterais que muitas vezes você não conhece”, alertou o prefeito.
A Anvisa orienta que a compra de medicamentos seja realizada exclusivamente em estabelecimentos regularizados, sempre com a embalagem original e a emissão da nota fiscal. Em caso de qualquer suspeita de falsificação, a recomendação é não utilizar o produto e comunicar imediatamente as autoridades sanitárias competentes.

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