Jaguaribe, cidade mais quente do Ceará, enfrenta risco de desertificação
Município registra temperaturas extremas e sofre com desgaste do solo e perda de vegetação nativa.

Jaguaribe, no Ceará, é considerado o município mais quente do estado, com temperaturas que podem ultrapassar 40ºC, e enfrenta um sério risco de desertificação. A cidade, situada a quase 300 km de Fortaleza, já registrou a temperatura máxima de 41,9ºC em 31 de outubro de 2023, um feito que não surpreendeu a população local, que frequentemente lida com o calor extremo.
Dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) mostram que, fora da quadra chuvosa, Jaguaribe experimenta altas temperaturas. Entre junho de 2021 e janeiro de 2022, as temperaturas variaram de 38ºC a 40,4ºC, e dois meses antes do recorde estadual, em agosto e setembro de 2023, a cidade já havia registrado máximas de 40,4ºC e 40,9ºC, respectivamente.
Os fatores que contribuem para o calor intenso em Jaguaribe incluem a baixa nebulosidade e o fenômeno climático conhecido como B-R-O-bró. Segundo Meiry Sakamoto, gerente de meteorologia da Funceme, a ausência de nuvens permite que a radiação solar atinja o solo diretamente, resultando em temperaturas mais altas, especialmente sem chuvas que mantêm a umidade do solo.
Além disso, o fenômeno do El Niño intensifica as temperaturas, pois eleva a quantidade de calor na atmosfera, facilitando a quebra de recordes de temperatura no segundo semestre do ano. A vegetação local, predominantemente caatinga, também influencia o clima, pois a perda de folhas durante o segundo semestre expõe o solo ao calor direto, aumentando a temperatura do ar.
A desertificação é uma preocupação crescente em Jaguaribe, que faz parte do Núcleo do Médio Jaguaribe, uma das áreas do Ceará mais vulneráveis ao processo. Recentemente, a Funceme relatou que 89% do estado está sob secas de intensidade fraca a moderada, um aumento significativo em relação aos 29% registrados em junho deste ano.
Os impactos da desertificação são visíveis no cotidiano da população. A radiologista Luciana Pereira Norões descreve a experiência de viver em Jaguaribe, afirmando que a sensação térmica é de extremo calor e abafamento. Segundo ela, as altas temperaturas afetam diretamente sua qualidade de vida, causando cansaço e dificuldades para realizar atividades diárias.
Para combater esses desafios, há iniciativas de políticas públicas, como a Política Municipal de Meio Ambiente, estabelecida pela Lei Municipal nº 1.441/2019, e o Programa Municipal de Arborização Urbana, implementado em 2025. A Prefeitura de Jaguaribe também promoveu uma consulta pública em 2026 para desenvolver um Plano Municipal de Arborização Urbana, que visa mitigar os efeitos do calor e da desertificação.

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