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Irregularidade Fiscal

MPTCU pede suspensão de reajuste do Bolsa Família anunciado por Lula

Representação questiona legalidade da medida e possível uso eleitoral do benefício.

publicado em 28/10/2026 às 23:48

MPTCU pede suspensão de reajuste do Bolsa Família anunciado por Lula
Crédito: Reprodução / Internet

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) solicitou a suspensão do reajuste de 15,04% do Bolsa Família, anunciado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 17 de setembro de 2026, a apenas 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais. A medida é questionada por sua legalidade, falta de detalhamento sobre as fontes de financiamento e a possibilidade de utilização eleitoral do programa social.

A representação foi apresentada pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, que pediu ao TCU a adoção de uma medida cautelar para suspender os efeitos do Decreto nº 13.120/2026. Furtado argumenta que a iniciativa pode contrariar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), especialmente em relação à criação ou ampliação de despesas permanentes sem a devida demonstração de viabilidade orçamentária.

O reajuste elevou o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 por família, enquanto o valor médio estimado passou de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores começaram a ser pagos em outubro, durante o período entre os dois turnos da eleição presidencial.

Na representação, Furtado também destaca que o decreto presidencial não apresenta detalhamento suficiente das fontes de financiamento do reajuste, nem demonstra a compatibilidade com a Lei Orçamentária Anual (LOA) e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Além disso, o subprocurador questiona se o aumento de despesas obrigatórias de caráter continuado pode ser autorizado por decreto presidencial, sem a apresentação de uma nova proposta ao Congresso Nacional. Para ele, a ampliação de despesas dessa natureza deve ter respaldo legal e comprovação de que existem recursos suficientes para manter os pagamentos nos exercícios financeiros seguintes.

A análise solicitada ao TCU envolve tanto a legalidade do instrumento utilizado pelo governo quanto a sustentabilidade fiscal do reajuste. A representação pede que o tribunal verifique se os requisitos legais e orçamentários foram atendidos antes da implementação dos novos valores.

O timing do anúncio também é um ponto de questionamento. O governo anunciou a ampliação do Bolsa Família em 17 de setembro, a apenas 17 dias do primeiro turno, e os novos valores começaram a valer em outubro, entre as duas etapas da eleição presidencial. A proximidade com a votação levou o MPTCU a levantar a possibilidade de uso eleitoral do programa, que atende famílias em situação de vulnerabilidade social. Contudo, a representação apresenta questionamentos que precisam ser examinados pelo órgão de controle e não equivale a uma conclusão de irregularidade eleitoral.

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